Com vinte anos de atividades
ininterruptas completados em junho de 2000, o Grupo Literário
A ILHA é um grupo de poetas e escritores de Santa Catarina que
procura manter os espaços que já conquistou para divulgação e
popularização da poesia e continua na procura por
novos espaços. Como é o caso da explosão da poesia nos shoppings
das maiores cidades do estado. O Grupo aderiu aos novos
concentradores de público e conquistou espaços dentro dos
shoppings, passando a exibir lá o seu VARAL DA POESIA, que então
passou a chamar-se Projeto POESIA NO SHOPPING.

Outros projetos: POESIA NA RUA - poesia em out-doors, pelas
ruas das cidades; PACOTE DE POESIA - o livro dividido em folhas
soltas dentro de um pacote de pão ou simplesmente de um envelope, a
capa; POESIA CARIMBADA - a poesia para ser impressa em
qualquer suporte; PROJETO SANFONA POÉTICA - folhetos com
poesia distribuídos gratuitamente; POESIA NA ESCOLA - a poesia
dos autores da terra em apresentações feitas no computador, para
as salas de aula; Projeto O SOM DA POESIA - poemas gravados por
comunicadores do rádio, em CD; as Edições A ILHA, quase uma
editora cooperativa, publicam o SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA,
revista que reúne os trabalhos de todos os integrantes do grupo,
folhetos e sanfonas poéticas, livros solo e antologias. A revista
SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA é trimestral - em dezembro, sai o número
75.
Por último, há o portal literário A ILHA na Internet, mostrando
todo o trabalho do grupo e de outros escritores do país e do mundo,
chamado PROSA, POESIA & CIA., em http://www.geocities.com/lcamorim,
com seções como a edição on-line da revista do grupo, Suplemento
Literário A ILHA, a coluna Literarte - informação literária e
cultural com muita poesia, seções como Grandes Mestres da Poesia,
focalizando a vida e a obra de Quintana, Coralina, Cruz e Sousa e
outros; Literatura Infantil, Resumos para o Vestibular, Livros
on-line, com obras poéticas em português, espanhol e inglês;
Autores Catarinenses, com os nomes mais expressivos da literatura
catarinense, como Urda Alice Klueger e Enéas Athanázio - e duas
antologias - "Todos os Poetas", já com mais de 200
poetas e "O Tema do Poema", poesia temática. O site é
atualizado constantemente.
O Grupo foi fundado em São Francisco do
Sul em 1980, mudou sua sede para Joinville em 1982 e migrou para
outra ilha em 99, Florianópolis.
E-mail para contato: lc.amorim@ig.com.br
500 ANOS
/ 20 ANOS
Urda Alice Klueger
(junho/2000)
Nestes tempos
de comemorações dos 500 anos do Brasil (vou fazer de conta que nem
os índios nem os Sem-Terra apanharam feio das polícias, nem que
outras barbaridades houve), li, em algum lugar, que alguns
portugueses de 1500 e de antes eram totalmente contra que se
arriscasse as vidas da fina flor dos homens de Portugal em navegações
incertas e sem sentido. Segundo aqueles profetas do Apocalipse,
Portugal tinha muito pouca gente para mandar seus filhos enfrentar o
grande Mar-Oceano, onde, provavelmente, eles seriam devorados
pelos grandes monstros que a imaginação ibérica e européia
acreditava estarem patrulhando os abismos que, fatalmente,
engoliriam qualquer tipo de caravela ou outro barco ousado.
Numa coisa os nossos profetas tinham razão: Portugal tinha
muito pouca gente. Em 1500, o pequeno/grande país tinha uma população
de 1.000.000 de pessoas – se se descontar as mulheres, as crianças,
os velhos e os doentes, talvez sobrasse alguma coisa como 200.000
homens, para cuidar de tudo em seu país, e para conquistar todos os
mares "nunca dantes navegados".
A nossa sorte é que aquela minoria não foi ouvida, e os
portugueses lançaram-se aos mares, e acabaram sendo quase os donos
do mundo, e nos deram um Brasil danado de bom, apesar das batalhas
campais com índios e Sem-Terras. Já pensou se eles tivessem dado
crédito aos seus profetas derrotistas, e não tivessem se lançado
à aventura do desconhecido? Nem dá para imaginar como o mundo
seria hoje.
Daí, pensando nos portugueses, lembrei-me de outro fato notável.
Um jovem poeta que, faz vinte anos, morava em São Francisco do Sul,
naquela ocasião achou por bem publicar uma revista. Tratava-se de
"A Ilha", revista que, de uma forma ou de outra, todo o
mundo que lida com literatura, em Santa Catarina, deve ter visto ou
ouvido falar, ao menos. O que fez com que o jovem poeta, que se
chama Luiz Carlos Amorim, resolvesse sair na chuva para se molhar,
começando uma publicação que, no começo, era muito simples, tão
simples que muita gente nem levava a sério? Lembro de antiqüíssimos
números de "A Ilha", xerografados ou mimeografados, mas
sempre chegando na casa da gente, sempre trazendo as novidades literárias
do Estado, notadamente da região norte de Santa Catarina.
Quando "A Ilha" surgiu, todo o mundo gostou? Uma ova, teve
gente de penca que não gostou, notadamente aquele pessoalzinho que
se considera a "inteligentsia" da literatura catarinense,
aquela gente que se tem em alta conta, que acha que só escreve
obras primas, mas de quem o leitor raramente ouve falar e nem
consegue deglutir os livros.
Que teria sido de "A Ilha", se o seu idealizador tivesse
levado em conta os comentários do pessoal da "inteligentsia"?
Decerto que teria
parado no primeiro número – vá agüentar-se as sandices que as
pessoas "cultas" são capazes de dizer!
O que o Luiz Carlos Amorim fez foi comportar-se como os portugueses
do século XV – não prestou atenção aos profetas daqui do
estado, assim como os portugueses não prestaram atenção aos
profetas do Apocalipse, e continuou, número após número, fazendo
circular a sua revista, por mais simples que ela fosse, por difícil
que fosse publicá-la.
E agora, hoje? Agora a revista "A Ilha" já esta fazendo
20 anos, e é linda e colorida, circulando por todo o planeta via
Internet. O endereço? É http://www.planeta.terra.com.br/arte/prosapoesiaecia.
Dê uma olhadinha lá, para você ver quanta informação e quantas
seções interessantes. Penso que toda a "inteligentsia,",
hoje, tem vontade de tirar uma casquinha em "A Ilha". E
por que? Porque o Luiz Carlos Amorim acreditou que podia ter uma
revista; porque ele não ficou ouvindo os cães que ladravam – ele
pegou a caravana e passou. Fez bem como os navegadores portugueses.
E, enquanto o Brasil comemora os 500 anos (apesar das barbaridades),
"A Ilha" completa seus 20 anos de vida. É um tempo
impressionante, neste país de altos e baixos. Só tenho uma coisa a
dizer : "Parabéns, Amorim! Muitos 20 anos para "A
Ilha!".
Portal de Literatura
PROSA, POESIA & CIA.
do Grupo Literário A ILHA