Poemas de Alexsander Oliveira

 

           

 

                                                                                       

   

Te encontro aqui e ali
quase fujo quase chego
onde te sei onde te acho
no lugar que me perco.
No átimo
me atiro pra dentro de ti
fora de mim
Assim me acho
como Manoel
 
“em petição de lata”
meio enfeite meio circo
nefelibata
lendo tuas linhas 
algumas poesias

Ando te lendo aqui e ali

 

 


tua voz
meus ouvidos
pletora
O caos
gemidos
uma pele rouca de.
gritos nus
uma direção
(ventre)
livre
uma ordem
(fora de)
versos
diversos
quase
inéditos
loquases.
Nereida, 
tua carne, 
teu crédito.  

 

 


Shenia

   

Um nome às vezes diz tudo

Um nome pode deixar mudo

quem dele se lembre

Um nome é pele primeira

da alma e é do corpo

fantasia de pessoa

 

o nome que deixa o tudo a se pensar

promete mas nem sempre cumpre

é nome escuso aquele que não se pronuncia

é nome sagrado aquele que a si próprio se anuncia

 

 

 

 

 

 

 

O poema me surge

           surjo o poema

 

O poema me suja

           sujo o poema

 

O poema me fere

           viro o poema

 

           me despe

visto o poema

 

           me cospe

 

                      como o poema

 

           me usa

 

abuso do poema                        

 

 

de ser e não ser o poema é

plasma

           plástico

o poema transpira  pira

                                            pora

o poema poreia

           gorjeia

 rima

           o poema azucrina

cospe  enrola rola torce

 

o poema caga mija e come

 

o poema tosse  espirra   

                                            porra

o poema detona, abandona, some

                                            centrifuga

 

o poema fode com outro

poema

 

o poema estupra mata   educa maltrata

o poema arromba a porta

 

o poema quebra  chuta  belisca 

chama  inflama  planta  colhe

se encolhe

 

o poema seduz  conduz

fede sua  futrica

 

rói as unhas

 

o poema engole vomita

se irrita

 

o poema assusta  cativa

se desespera

 

o poema quimera   não espera

explode.

   

 

O poema apreende a

                      poesia da vida.

que apreende o poema

 

O poema rouba a poesia

da vida

                     

          

           pra ele

 

é por isso que sou tão triste.

   

 

 

 


CANETA

Uma caneta

em que a cor, silhueta

de algo, dor, pasmo

amor cansado,

no risco inverso, brade

um tantra

como algo alucinado

nesse abstrato , riscado.

e a linha, invertebrada

no solo da folha,

solo do traço, ouça,

(só de passagem)

como vejo a paisagem, ouça

o peito, em cima,

de timbre marcado.

 

uma caneta

de novo

a linha torta

descendo a caminho

a camadas da pele

direto ao ventre

ou vértice, ou laço,

direto ao regaço

onde não mais

o poeta faz estardalhaço

onde não mais

é o poeta,

palhaço.

   

 



 

 

ESPERA

 

E enquanto espero deleito

as imagens do teu corpo no meu

e recordo Cummings: os dois são metades de um

e já não te quero mais.

Sou dois. E sou nenhum.

O absurdo metafísico.

E já não vivo - sonho.

E enquanto me desfaço

te construo

e por instinto tu recuas

e com um passo te possuo

à distância de um sonho.

E sem querer não sou mais eu.