Arnaldo Rosa Vianna Neto

   

 

       Arnaldo Rosa Vianna Neto nasceu em Campos dos Goytacazes (RJ) no final dos anos 60 (1969), embalado pelos reclamos de tradução e expressão poética que caracterizavam os anseios de liberdade  e mudanças radicais ocorridos nesta década e nas subseqüentes, quando cresceu, optando primeiro pelo Direito e, mais adiante, por estudos de Língua Francesa e Literaturas Francófonas. 
       É Mestre em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a Dissertação A representação do ethos underground na estética do vazio de Réjean Ducharme (1998),  especialista em Língua Francesa e Literaturas Francófonas UFF / 1995 – e detentor do Diplôme Supérieur d'Études Françaises ( 3e degré ), conferido pela Université de Nancy (1994). Atualmente, cursa doutorado em Literatura Comparada na UFF, desenvolvendo o projeto de tese Identidade, travessias e fronteiras Roteiro de viagem nas narrativas de Nélida Piñon e Réjean Ducharme . 
      Sua opção pelo Curso de Direito deveu-se a uma primeira identificação com a área de Ciências Humanas, na busca de um referencial que justificasse a organização das sociedades ocidentais e o conseqüente produto de seus paradigmas. Entretanto, o contato com a cultura e a civilização francesas e a história dos ideais libertários da França, em busca de um equilíbrio social que promovesse o advento de uma sociedade mais justa e igualitária, inspirou-o na decisão de estudar a problemática das identidades nacionais e a relação colonialista entre o centro produtor do sistema, no caso de sociedades pós- industrializadas, e a periferia mantida à margem do processo decisão essa que inclui, como projeto político- existencial, a busca de um lugar americano e brasileiro onde se possa identificar a fronteira híbrida ideal para a recuperação de um inadiável diálogo entre as alteridades latinas, posto que distanciadas pela hegemonia do capitalismo de mercado, que, investindo no materialismo consumista,  dimensionou a produção dos bens culturais por apropriação, controle e difusão de seus haveres. Assim sendo, o exercício do magistério lhe pareceu a melhor proposta para a realização de ideais que incluíam, como etapa indispensável e fundamental, a freqüência aos Cursos da Universidade de Nancy 2, participante do projeto do Governo Francês de investimento em uma política de difusão baseada na história, cultura e civilização francesas nas Américas, através de cursos credenciados nas Alianças Francesas do Brasil, que funcionam como campi universitários avançados.  
       Nos cursos de Especialização, Mestrado e Doutorado da UFF, a opção pelas pesquisas em Língua Francesa e Literaturas Francófonas deveu-se à identificação do projeto político-existencial, exposto acima, com as linhas de pesquisa oferecidas pelo Departamento de Pós-Graduação em Letras. Pela leitura crítica de textos teóricos, que privilegiam a intertextualidade na criação e na recepção de textos nas Literaturas Quebequense e Brasileira, no que se propicia o diálogo cultural entre obras literárias, caminha por um processo de detectação das apropriações de matrizes intertextuais que funcionam como referenciais no processo da recriação literária: a memória de outros textos.  
      Assim, trabalha no Doutorado a comparação da produção literária de Réjean Ducharme e Nélida Piñon, que se aproximam pela temática do exercício da procura e construção de um outro lugar, definido como o das alteridades em trânsito cuja representação está centrada fundamentalmente nas figuras de Bérénice ( L'Avalée des Avalés, de Réjean Ducharme ) e Caetano Toledo ( A Doce Canção de Caetano, de Nélida Piñon ), que exploram o jogo dos signos literários através do domínio das máscaras e do travestimento, em espécie de representação ritual e paródica, construindo uma aproximação entre desvios e devires. Nessa perspectiva, participa do Projeto Integrado: A representação do cotidiano como invenção nas literaturas periféricas, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Maria Bernadette Velloso Porto, Coordenadora do Núcleo de Estudos Canadenses da UFF, com o apoio do CNPq.