Poemas de fabricio Carpinejar 

 

        

 

 


 Segunda Colina

Um rosto conhecido
usou o desconhecido
do teu rosto.








Quinta Colina

A roldana palitava
a boca da cisterna

e o pescoço da luz vestia
o poncho do vento



Oitava Colina

Ela colocou os dentes
debaixo do alpendre.
O segredo escureceu,
acarminado de relva.
As cabras jardinaram o piso.



 Nona Colina

Avalor desconhecia o vexame
da crença. Estava na nona
colina e não responderia
ao apelo externo. Aprendeu
a se deslocar parado.
Unicamente a copa barulhava
o fluido da geografia,
a incidência da pressão.
Nos dados biográficos,
nunca largou o hospício
após completar a idade da razão.
E os apontamentos
listavam apenas o vegetar
dos cílios e a gradação
dos antibióticos. A trama
das bandagens cobria
os retalhos ovalados das fotos.
As portinholas consistiam
numa elevada, acima do palmo
da viseira. Trocava-se
a enfermaria pelo dormitório
e ninguém notava.
Avalor, ocupado pela inércia,
descobriu o talento
de vadiar a verdade.


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A vida amou a morte
mais do que havia para morrer.

Na beira da cama,
o sândalo dos pés
convidava-me
a renunciar as sandálias
e debulhar a palha noturna.

Apaguei os pensamentos
na espuma da pele.

Abandonar o paraíso,
a única forma
de não esquecê-lo.

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Pensei em deixar uma carta,
salvar a semente
do gesso da polpa.

A lua desabou nos ombros.
A face reluziu na faca.
Abreviei a terra
ao tamanho da sombra.


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Encostei os lábios
nas amêndoas dos seios
e atrasei o relógio do ventre.