Ivo Korytowski nasceu no Rio de Janeiro em 1951.
Ivo Korytowski Muito mais do que um simples livro de dúvidas, esse livro aborda de maneira prática e direta as complexidades, inconsistências e curiosidades da nossa língua portuguesa. Além de dicas valiosas para evitar os erros mais correntes – acentuação, concordância, ortografia e pronúncia – você vai aprender a usar os corretores eletrônicos com inteligência, entender um pouco sobre a evolução do português através dos tempos, saber um pouco mais sobre as invasões lingüísticas e desvendar muitos mistérios e maravilhas do nosso idioma. Portanto, sente, relaxe e aprenda sem esforço. Quem sabe, você pode até se divertir! Até hoje, aprender português era questão de decoreba: você tinha que enfiar na cabeça um rol de regras de acentuação, crase, concordância etc. sem entender muito bem a lógica. Pois agora você vai descobrir o outro lado do português: o português lógico, compreensível. Vai aprender a acentuar corretamente as palavras (entendendo o porquê dos acentos), a pontuar com elegância o texto, a grafar corretamente termos e expressões (por exemplo, o porque junto e o por que separado), a harmonizar entre si as partes da frase (concordância verbal e nominal, colocação de pronomes) e muito mais. Tudo isso exemplificado com letras da MPB, matérias de jornais, textos de bons escritores, trechos de páginas e blogs da Internet — ou seja, o português vivo. De quebra vai se divertir com uma série de curiosidades e casos engraçados (por exemplo, a história da "faca de dois legumes" do Vicente Matheus e as diferenças entre o português do Brasil e de Portugal) em torno da nossa língua. Sem falar na Comédia dos Erros, uma coletânea de erros, muitos deles hilários (como árvore ginecológica), colhidos da vida real. Parodiando o famoso programa de televisão, podemos afirmar que "seus problemas de português acabaram"! GRANDES E PEQUENAS MARAVILHAS Existem grandes maravilhas: comer mancheias de caviar ao som de balalaicas às margens do Mar Cáspio. Mas existem pequenas maravilhas também: entrar na primeira padaria que surgir pela frente e escolher a dedo aquele pão doce cheio de creme pra sair comendo pela rua, ou o croissant (ou pão de provolone) pra saborear em casa, camada de manteiga com sal e geléia de morango — ou prefere damasco? Existem grandes maravilhas: excursão de degustação pelos vinhedos de Borgonha. Mas existem pequenas maravilhas também: entrar em botequim qualquer e saborear aquela latinha de Bohêmia, ouvindo todo o papo furado daquele pessoal que parece não ter horário nem compromisso como você. Existem grandes maravilhas: assistir à peça de Shakespeare em Stratford-upon-Avon. Mas existem pequenas maravilhas também: ver capítulo de novela qualquer na televisão. Não acompanhar compulsivamente toda e qualquer novela, dia após dia, mas ver um capítulo aleatoriamente, sem saber muito bem a história. Na novela, é como se as revoluções estéticas do século XX jamais tivessem ocorrido. Sua lógica, totalmente romântica, folhetinesca, rocambolesca: incríveis coincidências, amores impossíveis, expectativas dilacerantes — culminando no final feliz! E os diálogos? Os diálogos, de tão naturais, até parecem reais — a gente não se dá conta de que um autor, um escritor, um roteirista escreveu aqueles diálogos. Existem grandes maravilhas: ouvir a Filarmônica de Berlim, com toda a pompa e circunstância, em seu país natal. Mas existem pequenas maravilhas também: ouvir o CD favorito no momento — que pode ser aquele trio de Schubert, o álbum do ERA ou o velho disco de boleros remasterizado — à meia-luz, balançando na rede, incenso indiano queimando. Existem grandes maravilhas: ganhar pendentif de ouro do namorado. Mas existem pequenas maravilhas também: beijoca estalada na orelhinha! Existe coisa melhor? Existem grandes maravilhas: ir a Roma e ver o papa. Mas existem pequenas maravilhas também: subir a Santa Teresa, Rio de Janeiro, e ver o puja no templo budista. Existem grandes e pequenas maravilhas. E dado que os extremos se tocam, as pequenas acabam se revelando tão prazerosas quanto as grandes. Pensando bem, as pequenas saem ganhando: afinal, poupam-nos de estafantes deslocamentos, do aperto de lata de sardinhas e turbulências dos aviões, das intermináveis prestações pós-viagem... Afinal, não é a toa que reza o ditado: boa romaria faz quem em casa fica em paz.
ÉDIPO: O PONTO DE PARTIDA
Lucilene Machado
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