Ivo Korytowski nasceu no Rio de Janeiro em 1951.
Graduou-se e licenciou-se em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Publicou dois livros: Édipo (Editora Ciência Moderna), primeiro lugar do Prêmio Orígenes Lessa da União Brasileira de Escritores de 2003, e Português Prático (Editora Elsevier), livro de dúvidas e curiosidades da língua portuguesa ilustrado pelo Jaguar.
É tradutor profissional, tendo traduzido mais de cem livros de variados assuntos e autores, entre eles Stephen Hawking, Richard Bach e Paul Auster.
Mantém um blog sobre o Rio de Janeiro, seus encantos, história, literatura e artes em geral em http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com, bem como um blog em língua inglesa, Rio de Janeiro Around the Year, em http://riodejaneiroaroundtheyear.blogspot.com/, para divulgar as belezas do Rio ao público internacional. Desde 1999, participa da Oficina Literária do professor Ivan Proença. 
Para ver colaborações de Ivo Korytowski em PALAVRARTE clique em Poesia pelo Mundo - Irlanda.

 

Ivo Korytowski
PORTUGUÊS PRÁTICO: Um Jeito Original de Tirar Suas Dúvidas de Português
Editora Elsevier
Capa e ilustrações de Jaguar


Muito mais do que um simples livro de dúvidas, esse livro aborda de maneira prática e direta as complexidades, inconsistências e curiosidades da nossa língua portuguesa. Além de dicas valiosas para evitar os erros mais correntes – acentuação, concordância, ortografia e pronúncia – você vai aprender a usar os corretores eletrônicos com inteligência, entender um pouco sobre a evolução do português através dos tempos, saber um pouco mais sobre as invasões lingüísticas e desvendar muitos mistérios e maravilhas do nosso idioma. Portanto, sente, relaxe e aprenda sem esforço. Quem sabe, você pode até se divertir!

Até hoje, aprender português era questão de decoreba: você tinha que enfiar na cabeça um rol de regras de acentuação, crase, concordância etc. sem entender muito bem a lógica. Pois agora você vai descobrir o outro lado do português: o português lógico, compreensível. Vai aprender a acentuar corretamente as palavras (entendendo o porquê dos acentos), a pontuar com elegância o texto, a grafar corretamente termos e expressões (por exemplo, o porque junto e o por que separado), a harmonizar entre si as partes da frase (concordância verbal e nominal, colocação de pronomes) e muito mais. Tudo isso exemplificado com letras da MPB, matérias de jornais, textos de bons escritores, trechos de páginas e blogs da Internet — ou seja, o português vivo. De quebra vai se divertir com uma série de curiosidades e casos engraçados (por exemplo, a história da "faca de dois legumes" do Vicente Matheus e as diferenças entre o português do Brasil e de Portugal) em torno da nossa língua. Sem falar na Comédia dos Erros, uma coletânea de erros, muitos deles hilários (como árvore ginecológica), colhidos da vida real. Parodiando o famoso programa de televisão, podemos afirmar que "seus problemas de português acabaram"!

GRANDES E PEQUENAS MARAVILHAS

Existem grandes maravilhas: comer mancheias de caviar ao som de balalaicas às margens do Mar Cáspio. Mas existem pequenas maravilhas também: entrar na primeira padaria que surgir pela frente e escolher a dedo aquele pão doce cheio de creme pra sair comendo pela rua, ou o croissant (ou pão de provolone) pra saborear em casa, camada de manteiga com sal e geléia de morango — ou prefere damasco? Existem grandes maravilhas: excursão de degustação pelos vinhedos de Borgonha. Mas existem pequenas maravilhas também: entrar em botequim qualquer e saborear aquela latinha de Bohêmia, ouvindo todo o papo furado daquele pessoal que parece não ter horário nem compromisso como você. Existem grandes maravilhas: assistir à peça de Shakespeare em Stratford-upon-Avon. Mas existem pequenas maravilhas também: ver capítulo de novela qualquer na televisão. Não acompanhar compulsivamente toda e qualquer novela, dia após dia, mas ver um capítulo aleatoriamente, sem saber muito bem a história. Na novela, é como se as revoluções estéticas do século XX jamais tivessem ocorrido. Sua lógica, totalmente romântica, folhetinesca, rocambolesca: incríveis coincidências, amores impossíveis, expectativas dilacerantes — culminando no final feliz! E os diálogos? Os diálogos, de tão naturais, até parecem reais — a gente não se dá conta de que um autor, um escritor, um roteirista escreveu aqueles diálogos. Existem grandes maravilhas: ouvir a Filarmônica de Berlim, com toda a pompa e circunstância, em seu país natal. Mas existem pequenas maravilhas também: ouvir o CD favorito no momento — que pode ser aquele trio de Schubert, o álbum do ERA ou o velho disco de boleros remasterizado — à meia-luz, balançando na rede, incenso indiano queimando. Existem grandes maravilhas: ganhar pendentif de ouro do namorado. Mas existem pequenas maravilhas também: beijoca estalada na orelhinha! Existe coisa melhor? Existem grandes maravilhas: ir a Roma e ver o papa. Mas existem pequenas maravilhas também: subir a Santa Teresa, Rio de Janeiro, e ver o puja no templo budista. Existem grandes e pequenas maravilhas. E dado que os extremos se tocam, as pequenas acabam se revelando tão prazerosas quanto as grandes. Pensando bem, as pequenas saem ganhando: afinal, poupam-nos de estafantes deslocamentos, do aperto de lata de sardinhas e turbulências dos aviões, das intermináveis prestações pós-viagem... Afinal, não é a toa que reza o ditado: boa romaria faz quem em casa fica em paz.

ÉDIPO: O PONTO DE PARTIDA Lucilene Machado

O percurso do escritor Ivo Korytowski para apresentar seu processo criativo tem início em Édipo – uma coletânea de trinta e cinco contos publicada pela editora Ciência Moderna que também está inaugurando sua linha de ficção. Do primeiro ao último conto, Korytowski permanece fiel a um estilo marcado pela pós-modernidade, valendo-se dos estrangeirismo, gírias, linguagem internáutica e até trava-línguas para condensar sua visão de mundo num inquérito, aparentemente, filosófico, mas que inclui teologia, história, política, culinária e romance. Muito romance. Almas Gêmeas, título de um dos textos é também tema recorrente em grande parte da obra que situa o homem como um ser carnal seduzido pelas aparências e que vive as relações efêmeras da contemporaneidade. Ivo Korytowski é autor inquieto, que ousa penetrar o cerne de qualquer tema. Nenhum assunto é grande ou pequeno demais que não mereça ser explorado. Ele movimenta-se sobre uma complexa rede de inferências que inclui desde assuntos de ordem mitológicas até reflexões de uma barba ou uma apologia à punheta – neste último se aproxima da escrita de João Gilberto Noll, usando para a abordagem um tom erótico fescenino. Mas, se o leitor desavisado pensa encontrar uma linguagem simplista ou vulgarizada, engana-se. A viagem é permeada por referências, reordenação de textos, digressões, intertextualidades, enfim uma linguagem singularizada, e, como versa Alfredo Bosi, nem por isso isolada. O autor sabe como, por quê e para quê se cria. Sabe que ninguém poderá dizer mais sobre um texto que o próprio texto literário, e para isso usa o recurso da metalinguagem demonstrando preocupação com a construção e rigor dos contos, ora dirigindo-se ao leitor, ora dialogando com o narratário que chega a aparecer na figura de uma platéia ou como leitor específico. Um exercício que lembra o processo de escrita machadiano. Para fechar, vale lembrar ainda que Édipo tem um belo projeto gráfico e prefácio do Prof. Ivan Cavalcanti Proença a quem o autor atribui esta citação dentro do conto Alma Gêmeas: "a literatura desrealiza o real pra realizar o fenômeno literário". Ivo Korytowski aprendeu a lição.