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Filósofo
de formação, Rosemberg Cariry começou sua carreira cinematográfica
em 1975 com documentários
de curta metragem sobre artistas populares e manifestações artísticas
do Ceará e do Nordeste. Depois, já na década de 1980, realizou os
seus primeiros filmes documentários profissionais.
Em
1986, realizou seu primeiro
filme de longa metragem (documentário), A
Irmandade da Santa Cruz do Deserto, episódio de resistência
camponesa que ocorreu em 1936 e que terminou tragicamente com a
intervenção armada do governo e com milhares de camponeses mortos. Essa
história era um tabu e foi abordada pela primeira vez, com grande
repercussão. O filme foi premiado nacionalmente e recebeu convite
para participar de festivais em Portugal e Cuba. A partir de 1987,
Rosemberg Cariry foi contratado pela televisão Verdes Mares para
produzir programas culturais e realizar documentários sobre a
história e as artes do Nordeste do Brasil.
Em
1993, quando a produção de cinema no país havia entrado em completo
colapso, ele filmou,
ainda como cineasta independente, seu segundo longa-metragem (ficção)
A Saga do Guerreiro Alumioso.
Esse filme foi finalizado com apoio da Cinequanon de Lisboa e
do Instituto Português de Arte Cinematográfica (IPACA). A ação se
desenrola em uma cidade
imaginária dos sertões. Ele mostra o confronto tradicional entre os
camponeses e os grandes proprietários de terra, que será resolvido
por um Dom Quixote sertanejo que se identifica com o mito de Lampião.
O filme ganhou o prêmio de “Melhor
Filme do Júri Popular”, o prêmio de “Melhor
Ator” e de “Melhor
Ator Coadjuvante”, no XXVI Festival de Brasília do Cinema
Brasileiro, em 1993. A Saga do Guerreiro
Alumioso marcou, de alguma forma, junto com três outros que foram
produzidos na época, o movimento de resistência do cinema
brasileiro. Esse filme foi
selecionado para representar o Brasil no Festival
dos Três Continentes de Nantes (França) e participou de muitos
outros festivais internacionais: Portugal, Itália, Colômbia, Cuba,
Canadá, Estados Unidos da América, Uruguai, Bélgica, etc.
Em
1995, Rosemberg Cariry obteve o Prêmio da Retomada do Cinema
Brasileiro, em concurso realizado pelo Ministério da Cultura
e pôde começar a produção do seu terceiro filme de longa
metragem, ficção, que se chamou Corisco
e Dadá. O filme, baseado na história verídica de um casal de
cangaceiros célebres nos anos 40, mostra em toda a sua dimensão trágica,
a luta do homem pela sobrevivência nos sertões secos e miseráveis
do Nordeste. Corisco e Dadá, um
dos filmes do chamado “ Renascimento
do Cinema Brasileiro ”,
foi bem recebido pela crítica, teve lançamento comercial em
muitas cidades brasileiras e obteve inúmeros prêmios no Brasil e no exterior, notadamente o Prêmio
do Grande Coral ( 3º prêmio) em Havana (Cuba) e o Prêmio Cittá del Vasto
(Adventure Film Festival), na Itália. Entre os muitos festivais
internacionais de que participou, destacam-se :Toronto, Trieste,
Toulouse, Nantes, Pal Springs, New Delhi, Chicago e Ankara.
Paralelamente
à sua atividade, Rosemberg Cariry publicou também várias coletâneas
de poesia, compôs canções com compositores regionais e exerceu
atividade de jornalista cultural. Contribuiu notadamente para o
reconhecimento e valorização da cultura popular tradicional
nordestina. Por ter participado amplamente da preservação do patrimônio
cultural do povo brasileiro, foi recompensado em 1996, pelo Prêmio
Rodrigo de Melo Franco
/ IPHAN, outorgado pelo Ministério
da Cultura do Brasil.
Rosemberg
Cariry é proprietário da Cariri Filmes, empresa especializada em produções audiovisuais,
sobretudo de filmes e vídeos artísticos e educativos. Na cidade de
Fortaleza, onde reside, é membro do Conselho de Cultura do Estado do
Ceará e participa de várias entidades culturais públicas.
Um
traço marcante da obra de Rosemberg Cariry é a busca sempre renovada
das fontes e dos encontros culturais: procura extrair o universal do
particular, estabelecer ligações entre as diferenças culturais e,
em particular, entre as formas eruditas e populares. Assim, o seu
trabalho, profundamente imerso na cultura no Nordeste do Brasil, chega
ao universal, através de
uma dimensão essencialmente humanista.

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