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Almandrade
(Antônio Luiz M. Andrade)
Artista
plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano e poeta. Participou de
várias mostras coletivas, entre elas: XII, XIII e XVI Bienal de São
Paulo; "Em Busca da Essência" - mostra especial da XIX
Bienal de São Paulo; IV Salão Nacional; Universo do Futebol
(MAM/Rio); Feira Nacional (S.Paulo); II Salão Paulista, I Exposição
Internacional de Escultura Efêmeras (Fortaleza); I Salão Baiano; II
Salão Nacional; Menção honrosa no I Salão Estudantil em 1972.
Integrou coletivas de poemas visuais, multimeios e projetos de instalações
no Brasil e exterior. Um dos criadores do Grupo de Estudos de
Linguagem da Bahia que editou a revista "Semiótica" em
1974.
Arquitetura de algodão - poesia reunida
Depois da mostra retrospectiva no Museu de Arte Moderna da Bahia que
veio confirmar o lugar de Almandrade na linha de frente da arte
contemporânea brasileira, este artista /poeta nos surpreende com um
belíssimo livro de poesia, a começar pelo titulo: Arquitetura de
Algodão. Projeções, planejamento, cálculo, idéia. A feliz
tentativa de captar imagens impossíveis, pensamentos e
corporifica-los. O mais original é a diluição do que entendemos
como real numa composição abstrata e lúdica, como se escrever
poesia fosse pintar um quadro. Uma declaração de amor à
fragilidade, ao invisível e a leveza. Uma poesia destilada, cerebral,
que namora com a filosofia, a lógica, Wittgenstein, Bérgson,
Nietzsche se perder a ética e a liberdade do trabalho literário.
O que podemos detectar de comum entre o trabalho pictórico de
Almandrade e sua poesia é a instauração de um estado de leveza e
equilíbrio. O livro parece que veio anunciar o próximo milênio,
cantando as virtudes da leveza, como uma proposta poética. Como não
se lembrar de Ítalo Calvino e suas propostas. A evidente leveza dos
versos e a arquitetura dos poemas nos convidam a ler e reler o livro.
Poemas do livro Arquitetura de algodão
Almandrade
1
A mão escuta
o papel
toca a letra
um corpo
vaza o desenho
a boca resume
o traço
pássaros
cachoeiras
um bordado
que imita
a virtude e a transparência
das águas.
2
O tema ronda
a lógica
invade
a língua
disparidades
não faz
insiste
inquebrável
ao menos
não diz
a razão
é um pensamento
sem saída.
3
Fronteiras
que se repetem
ciclo limite
exaltação
atropelos
um fim
de século
ao meio-dia
circunstancial
inédito só
as pernas do sol.
4
O umbigo transborda
o éter
alva, lisa
sem marca
de cansaço
epiderme de mulher
o mar do nome
doce, leve
peixe
a dança refresca
o belo namora
a boca e as pernas.
Almandrade. Arquitetura de algodão (poesia
reunida). Salvador, Selo Editorial Letras da Bahia, 2000. 132p.
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